Escrita9
Enredo9
Personagens6.5
Desfecho10
Capa8
Diagramação9
8.6Total
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A primeira aventura do professor e simbologista Robert Langdom, “Anjos e Demônios”, chegava às livrarias em 2000 formando uma série de fãs por todo mundo. Entretanto apenas com o lançamento de “O Código da Vinci” que o escritor ficou conhecido mundialmente por seu trabalho. Neste ano, após treze anos do lançamento do primeiro livro, a quarta aventura do querido professor universitário chegou às livrarias.

Nesta nova aventura Robert Langdom acorda sem memoria num hospital em Florença e ao lado de uma misteriosa e inteligente médica irão se envolver em uma busca por respostas de um mistério relacionado a Divina Comédia de Dante Alighieri.

Muitos criticam a estrutura narrativa de Brown por exatamente seguir a mesma formula de sempre: Fatos, Prólogo, Capítulos curtos e Epilogo. O fato da estrutura ser um aspecto presente nos outros livros e tratando-se de uma série, conservar o estilo é na maioria das vezes conservar o leitor. Entretanto esta estagnação estrutural pode também ser vista por outros críticos como simples falta de criatividade ou de “coragem” para se arriscar.

Mas gostaria de ressaltar que na minha visão a estrutura repetida consegue dar enfoque significativo para a história. Ler uma aventura de Langdom é extremamente prazeroso, as páginas são viradas com rapidez pelos estímulos frequentes.

Entretanto o que enaltece as tramas do professor Langdom são seu contexto artístico e histórico. Conhecer obras de artes interessantes, curiosidades sobre artistas e museus, além de outras inúmeras referencias, faz sua história ser algo mais do que um conto de gato e rato.

inferno_mapa_botticelli

Mapa do Inferno de Botticelli

Inferno discute um tema que pode parecer clichê, mas é severamente importante e atual, mesmo que tratado de maneira exacerbada, o aumento da população e seu possível fim. O mais interessante é maneira como a questão é encaminhada até o seu final.

Não gosto como as personagens de Brown são aprofundadas e nem todas são, todavia em “Inferno” há um aprofundamento amplo sobre a personalidade humana em geral, que se estagna diante as catástrofes e parece sempre querer ser neutra e ética quando na verdade seria capaz de amplas e terríveis ações para alcançar seus objetivos.

Uma frase do livro Inferno de Dante diz “Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral” e assim resume, para mim, a real moral da história. Apesar que todos durante a trama, e quando digo todos são Todos, estão buscando combater um determinado problema, será na hora mais complicada de todas, na hora em que não haverá mais volta, a única solução encontrada será esperar e se neutralizar.

Recebi o final do livro como um grande tapa na cara, aliás, quem realmente somos e pelo que realmente estamos lutando? Será que falta coragem pra dizermos o que realmente queremos? Será que a neutralidade moral e ética que nos é imposta realmente é nosso ímpeto pessoal? Será que o vilão estava escondido em todos nós e foi preciso um corajoso para livrar todos do Inferno?

Acredito que ler um livro sem levantar grandes questionamentos empobrece a leitura. Então divirta-se lendo esta nova aventura de Langdom, mas tente ir além das linhas, pesquise sobre as obras citadas, escute as sinfonias lembradas, encante-se com a arquitetura descrita e divague sobre o que é discutido. Tudo é valido e complementa a leitura.

Portanto vamos terminar com uma sinfonia do Brilhante Franz Liszt, citada em Inferno, e que retrata em seus três movimentos cada um dos livros da Divina Comedia: Inferno, Purgatório e Paraiso.

Sinfonia de Dante | Franz Liszt

inferno

About The Author

Crítico Literário

Fundador, Editor e proprietário do Cine Eterno e estudante de Engenharia Civil mas fascinado pela magia e poesia do cinema e da literatura. Acredita na potencialidade da arte como complemento do modo de vida humano, auxiliando, desvendando e por vezes mitificando diversos conceitos pessoais do homem. Como diria Chaplin " Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa se extrair a imaginação"