Escrita10
Enredo8
Personagens9
Capa10
Diagramação10
9.4Total
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6.6

Depois de oito anos sem lançar um livro para o público adulto Neil Gaiman lança este belo exemplar, que contextualiza a infância de maneira tão fantástica, e se tratando de Gaiman o termo “fantástico” pode ser usado de inúmeras formas.

O Oceano no Fim do Caminho nos leva para a cidadezinha de Sussex na Inglaterra, onde um homem adulto volta a sua pequena cidade da infância e redescobre as memorias daquela fase que o tempo havia escondido nas gavetas da vida.

A infância é a fase magica da vida na qual tudo é crível aos nossos olhos fantasiosos. O homem adulto ao recordar do passado relembra seus tenros sete anos de idade.  Era uma garoto apaixonado por leitura, um desbravador de jardins com poucos amigos, que após um acontecimento fatal, com um minerador de opala que não soube lidar com seus problemas financeiros, que ocorre no fim do caminho na fazenda das Hempstock vai viver uma fantasia que confrontará toda sua realidade.

Os personagens são incríveis: O garoto fã incondicional de livros e quadrinhos – com inúmeras referências à: Batman, As Crônicas de Narnia (Gaiman já escreveu um conto sobre esta incrível obra em seu livro Coisas Frágeis.), Meninas e Meninos vêm brincar, Pansy salva a escola e inúmeras outras – é absolutamente agradável, com seus confrontos e seu incrível amadurecimento durante a história.

A Família Hempstock, essas três adoráveis mulheres, que não são bruxas, conforme descrição do livro, mas viveram por muitos anos e conhecem muito da sabedoria do universo. Todas as passagens do livro que trazem estes personagens são prazerosas e poéticas. Ursula Monkton é a encarnação dos problemas do pequeno garoto e um personagem fantasioso e incrível.

Amadurecer não é tornar-se adulto e muito menos perder a infância dentro de si. No livro o Homem adulto diz não sentir falta da infância em si, mas da forma como lidava com as coisas, mesmo com toda a impossibilidade de problemas inacreditáveis para uma mente de um garoto de sete anos, ele ainda conseguia se alegrar com um prato de uma deliciosa comida ou simplesmente se sentir seguro com um aperto de mão.

O livro não é apenas uma história, é também uma estrada que vai te levar até o fim do caminho num oceano cheio de recordações de sua própria infância. Impossível não se lembrar de fatos, e fazer comparações com dificuldades que assombram nosso dia-a-dia.

Pois é, continuamos a lidar com os mesmos monstros da infância, eles apenas mudaram os rostos. Vestiram ternos e gravatas, se esconderam em instituições e agora podem lidar com mais dinheiro que aquela moedinha de 10 centavos que era nossa fonte de alegria quando éramos pequenos.

Não importa a nossa idade, se não amadurecermos diante os problemas que nos são apresentados podemos ceder e desistir da própria vida como um minerador de opala que perdeu todo o dinheiro e não sabe enfrentar o problema.

Assim é o maravilhoso livro de Gaiman, uma incursão pela infância dentro de nós. A poeticidade do autor traz a verossimilhança dos pensamentos infantis e confronta com requinte a realidade adulta por traz da criança de cada um.

“[…] Os adultos também não parecem com adultos por dentro. Por fora, são grandes e desatenciosos e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, eles se parecem com o que sempre foram. Com o que eram quando tinha sua idade. A Verdade é que não existem adultos. Nenhum, no mundo inteirinho. […].”

O Oceano no Fim do Caminho. Pág 130.

O Oceano no fim do caminho

Leia as primeiras páginas.

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About The Author

Crítico Literário

Fundador, Editor e proprietário do Cine Eterno e estudante de Engenharia Civil mas fascinado pela magia e poesia do cinema e da literatura. Acredita na potencialidade da arte como complemento do modo de vida humano, auxiliando, desvendando e por vezes mitificando diversos conceitos pessoais do homem. Como diria Chaplin " Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa se extrair a imaginação"