Projetos: a corrida pela liderança criativa

Eu irei parafrasear Thoreau aqui… ao invés de amor, de dinheiro, de fé, de fama, de justiça… dê-me a verdade.

Christopher McCandless, personagem

de “Na Natureza Selvagem” (2007)

Não é surpresa que, para manter o status de Grande Estúdio, a Paramount dependa fundamentalmente da produção de filmes high concept, com uma média, entre 2005 e 2012, de 13.25 lançamentos em mais de 1,000 salas de cinema nos EUA – dos quais 8.5 estréiam em mais d3 3,000 salas. Dos quinze lançamentos realizados em 2011, último ano em que a empresa liderou o mercado nos EUA, catorze estrearam com mais de 2,500 salas (a única exceção sendo “Jovens Adultos”, com 987 salas), treze com mais de 3,000 e um (“Transformers: A Vingança dos Derrotados”) com mais de 4,000. O peso orçamentário destas produções massivas é visível ao se analisar os lançamentos em 2012: sete dos treze filmes que estrearam (excetuam-se, aqui, o relançamento em 3D de “Titanic” e em IMAX de “Caçadores da Arca Perdida”), tiveram um custo de produção superior a $30mi, equivalendo a 94% ($526mi) dos gastos totais no ano ($558mi). Sozinhos, os dois filmes mais caros (orçamentos superiores a $100mi) representaram quase 52% dos gastos.

Como mencionado, o estúdio expande seus braços a gêneros potencialmente menos lucrativos através de empresas como Paramount Vantage, Nickelodeon Movies e Insurge Pictures. Esta última, fundada em 2010 como o braço “micro-orçamentário” da companhia, merece certa atenção por ter produzido e/ou distribuído, entre 2011 e 2012, três filmes de baixo custo (maior orçamento de $13mi em um custo total de $26mi)15 e altíssimo retorno (receita mundial de $232mi, quase nove vezes superior aos custos de produção),16 embora também de baixa recepção crítica (média de 42% de aprovação no Metacritic e 49% no RottenTomatoes).17 O aperfeiçoamento da fórmula “micro-custo” pode gerar uma fonte de renda considerável e certamente segura para a empresa, embora dificilmente venha a representar uma parte crucial de seus lucros totais. Neste quadro, a franquia “Atividade Paranormal” – possivelmente o melhor investimento fílmico do estúdio em termos lucros relativos desde os anos 2000 – encaixa-se mais como exceção do que regra: realizados a um custo de $13mi, os quatro filmes da série renderam $715mi mundialmente até 2012 – ou 55 vezes o orçamento de produção.18

 A necessidade de forte apelo comercial e a desfavorável visão da empresa pela crítica especializada atualmente19 não impedem que a Paramount invista em uma seqüência de filmes-prestígio, com moderado sucesso no cenário dos Grandes Estúdios. Embora sua última vitória na categoria de “Melhor Filme” do Academy Awards tenha sido com o memorável “Titanic”, produzido em parceria com a rival 20th Century Fox, a Paramount foi capaz de manter uma regular produção de aclamados projetos, a exemplo de “As Horas” (2002), “Babel” e “Cartas de Iwo Jima” (2006), “Zodíaco” (2007), “O Curioso Caso de Benjamin Button” (2008), “Amor sem Escalas” (2009), “Ilha do Medo”, “O Vencedor” e “Bravura Indômita” (2010), “Hugo” (2011) ou “O Voo” (2012).

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Notas

15 “Justin Bieber: Never Say Never” (2011), “Katy Perry: Part of Me” (2012) e “The Devil Inside” (2012, distribuição apenas);

16 (Box Office Mojo. Box Office by Studio)

17 Até 07 de Julho de 2013. Notas calculadas com as médias dos três filmes;

18 (Box Office Mojo. Box Office by Studio)

19 (Dietz, J. 2012)

 

Referências

___________. Box Office by Studio – Paramount. Box Office Mojo, 2013. Web. 11 July 2013 <http://www.boxofficemojo.com/studio/chart/?yr=2013&view=company&studio=pardw.htm>

___________. Studio Market Share. Box Office Mojo, 2013. Web. 11 July 2013 <http://www.boxofficemojo.com/studio/>

Dietz, J. Metacritic’s 4rd Annual Movie Studio Report Card. Metacritic, 02 Feb 2013. Web. 11 July 2013 <http://www.metacritic.com/feature/film-studio-rankings-2013>

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