Direção7.5
Roteiro8
Elenco8
Trilha Sonora7.5
8Total
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1.0

Considero a comédia um gênero bastante difícil de se fazer, sobretudo a sátira/paródia, com grandes riscos de cair na chanchada e caricatura. Felizmente, há bons realizadores capazes de mesclar diferentes estilos de filme tendo como resultado final uma ótima produção, é esse o caso de “A Espiã que Sabia de Menos”, novo longa de Paul Feig (mesmo do divertido Missão Madrinha de Casamento), um dos diretores mais qualificados quando se trata do gênero, fugindo dos clichês e das apelações comuns. É uma perspectiva original, vindo de um diretor que sabe escolher pontos distintos para torná-los engraçados de forma natural.

Susan Cooper (Melissa McCarthy) trabalha como auxiliar dos agentes de campo da CIA, um trabalho burocrático sob péssimas condições de trabalho e nem um pingo de glamour que a espionagem demonstra ter. Subitamente os agentes da organização tem suas identidades expostas, forçando Susan a substituir a fim de descobrir o paradeiro de uma ogiva nuclear na qual só uma mimada filha de chefe do crime sabe (Rose Byrne). É o cenário perfeito para as mais inusitadas situações, com piadas bárbaras, como por exemplo a presença do cantor 50 Cent, dando uma alfinetada no Kanye. O roteiro consegue fugir do lugar comum, é bem escrito, bons diálogos, excelentes piadas, consegue compor uma sátira com “quê” de original.

Junto a dosagens de cultura pop a dia essência, a produção foge do maniqueísmo e da artificialidade comuns a longas desse tipo, tudo ocorre de forma natural, consegue surpreender o público pelo fato do diretor e roteirista não escolher caminhos fáceis, além do próprio não considerar haver limites para escrachar, impor o riso ao público, exagerando em determinados pontos. Contudo, não é algo que beira a chanchada e superficialidade, é sim prezando a diversão plena do espectador, algo facilmente conquistado.

O elenco consegue fluir perfeitamente: Melissa McCarthy carismática e empática, Allison Janney e Jude Law fazendo boas participações e Jason Statham maravilhoso fazendo uma auto-caricatura de praticamente todos seus papéis no cinema, com um humor surpreendente e descabido. Por trás de um infeliz título traduzido, esconde-se uma das mais promissoras e vigorosas comédias dos últimos anos, sem exageros ou exaltações, “Spy”, no original, consegue apresentar duas horas de pura satisfação, algo que poucos são capazes de fazer. Vale conferir e rir!

TRAILER LEGENDADO

About The Author

Editor e Crítico de Cinema

Estudante, questionador, indeciso e idealista. Amante da Sétima Arte, acredita que a cultura e a educação são os principais instrumentos de transformação social. Apaixonado pelo Brasil em toda sua plenitude e cores. Fã incondicional do grande gênio Woody Allen: "A liberdade é o oxigênio da alma".