13886_ggO amor pode ser percebido de infinitas maneiras, desde sua fase dos ardores da paixão  até o amadurecimento e percepção das falhas do outro. Todas estas fases do amor são percebidas na coletânea “Declaração de amor” de Carlos Drummond de Andrade, editada por seus netos Luis Mauricio e Pedro Augusto Graña Drummond.

O lançamento da editora Companhia das Letras é especial em comemoração ao dia dos namorados, esta data que é comemorada desde a sociedade grega no seu culto a Juno, deusa das mulheres e do casamento, no dia 14 de fevereiro. Atualmente a data é comemorada ao redor de todo o globo em datas diferentes e englobando as facetas do amor: do amor casal ao amor amigo.

O livro com o subtítulo “Poemas para namorados” traz os melhores poemas do autor com a temática do amor. Desta forma por englobar poemas das diversas fases do grandioso poeta, é perceptível as variações da concepção do sentimento dentro do livro. As delicias e os carinhos são expressos em meio aos desafetos no poema “Toada do Amor”, as bajulações e nomes carinhosos no poema “Declaração de amor” e a percepção do amor maduro no poema ” O Amor antigo”.  O livro é um grande passeio na vida amorosa e na mente de um dos maiores poetas do nosso país.

Escolhemos dois poemas do livro que mostram um amor real, que pode ser vívido por qualquer um. Esta é a beleza do amor, ele semeia todas as classes sociais, crenças e continentes. O amor é de todos.

Toada do Amor

E o amor sempre nessa toada!
briga perdoa perdoa briga.
Não se deve xingar a vida,
a gente vive, depois esquece.
Só o amor volta para brigar,
para perdoar,
amor cachorro bandido trem.

Mas, se não fosse ele, também
que graça que a vida tinha?

Mariquita, dá cá o pito,
no teu pito está o infinito.

O amor antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mais pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

Você pode conferir mais detalhes sobre o livro e nossas percepções no vídeo abaixo.

About The Author

Crítico Literário

Fundador, Editor e proprietário do Cine Eterno e estudante de Engenharia Civil mas fascinado pela magia e poesia do cinema e da literatura. Acredita na potencialidade da arte como complemento do modo de vida humano, auxiliando, desvendando e por vezes mitificando diversos conceitos pessoais do homem. Como diria Chaplin " Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa se extrair a imaginação"