Direção7
Roteiro2
Elenco5
Fotografia8
Sonografia7
Efeitos especiais9
6Nota final
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8.0

 

 

Título original: Avatar

Direção: James Cameron

Roteiro: James Cameron

Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi e Joel David Moore

Produção: James Cameron, Jon Landau

Estreia mundial: 16 de Dezembro de 2009

Estreia no Brasil: 18 de Dezembro de 2009

Gênero: Ficção científica, ação

Duração: 162 minutos

Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos

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Até hoje me pergunto se o exorbitante retorno financeiro de Avatar foi justo ou não. É questionável se o sucesso da obra corresponde à sua qualidade, principalmente em uma época em que filmes com roteiros pobres são aqueles que atendem às maiores bilheterias dos cinemas (Transformers se arrasta com várias continuações e continua com receitas surpreendentes). A verdade é que esse longa se tornou um verdadeiro fenômeno mundial no fim de 2009, mas será que trata-se efetivamente de uma película de excepcional importância? Vale lembrar que grande parte do sucesso obtido se deve ao descomunal marketing envolvido na sua difusão pelos quatro cantos do planeta e não é preciso uma análise muito complexa para concluir que a trama também tem seus defeitos, bem como a maioria dos filmes de ficção feitos puramente em vista do retorno financeiro.

James Cameron já havia acertado anteriormente no gênero ação com O Exterminador do Futuro e Aliens. Aqui, ele repete a fórmula do sucesso apostando em um roteiro simples que apela às grandes massas que vão ao cinema apenas à procura de diversão e entretenimento – não necessariamente de qualidade. Sabendo que o único ponto forte do filme é o visual, o diretor se focou quase que exclusivamente nos efeitos especiais até mesmo em momentos em que estes eram totalmente dispensáveis. Essa foi a forma que ele encontrou para surpreender e manter a atenção do público, já que o roteiro está repleto de clichês e furos na história. A exagerada duração do filme também é inexplicável – a não ser que seja a “síndrome de grandiosidade” que o diretor pode ter adquirido após o sucesso de Titanic. Somente para introduzir o espectador na história, já decorrem aproximadamente 40 minutos de arte. Eu repito: a trama é simples e dispensa todo esse tempo para ser desenvolvida.

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A premissa traz uma invasão humana à Pandora. O motivo da força militar adentrar o território alienígena não é nada mais que o aproveitamento da preciosa matéria-prima que ali existe. Sim, trata-se basicamente de uma versão turbinada do descobrimento da América. O exótico ambiente é pior que o inferno segundo apresentação do Coronel Miles Quaritch (Stephen Lang), mas, por incongruência do roteiro, o povo Na’vi – espécie de humanoides que ali vivem – são extremamente pacíficos, e convivem em perfeita harmonia com a natureza à qual estão inseridos. Esses nativos, por trás da bizarra aparência, são muito semelhantes ao ser humano: se aproveitam de recursos naturais, matam para obter seu alimento e domesticam animais com inteligência inferior. Aí está o maior defeito de Avatar, ao mesmo tempo que é extremamente extravagante, o filme traz uma história pouco criativa e não apresenta nada que seja verdadeiramente inovador na área, além do espetáculo visual.

Diferente de Titanic, o outro gigante do diretor, no qual a história flui naturalmente, aqui a trama protagonizada por Jake Sully (Sam Worthington) é lenta e arrastada. O personagem, um ex-fuzileiro que atualmente se vê preso em uma cadeira de rodas, tem atitudes inconsequentes e mesquinhas. Esse comportamento infantil é forçado na tentativa de explicar – ou esfregar na cara – sua imatura personalidade, que evolui a medida em que a trama se desenvolve. Já a construção de sua relação com a nativa Neytiri (Zoë Saldaña) é bem elaborada e consegue envolver o espectador, embora não apresente nada de extraordinário que justifique a grandiosidade à qual alguns rotulam o filme.

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A natureza apresentada, embora em alguns momentos se aproxime bastante da que conhecemos, apresenta aspectos que lhe concedem certa singularidade, e enche os olhos de quem assiste. Porém, embora bela, não é bem explorada no que se refere à sua composição. Somos apresentados a criaturas que lembram dragões, cavalos, rinocerontes e a espécie de “humanoides” azuis. As poucas criaturas não criam relação entre si no que se refere à seleção natural, e não há nenhuma explicação sobre o surgimento delas naquele ambiente. Não há primatas nem qualquer outro animal que represente antepassados deles ou que explique sua existência. Esse é outro grave problema do roteiro.

Os acertos estão na representação da nossa realidade em um ambiente diferente. Analisar por fora, não estando envolvido nessa mesma realidade, é uma forma diferente de enxergar as relações que temos na nossa convivência. Trata-se de uma representação que leva a refletir sobre nosso modo de vida e nossas atitudes com nossos semelhantes e com outros seres vivos. É uma forma interessante de “fazer pensar”, que funciona no contexto apresentado. A Árvore-Lar, por exemplo, é uma bela representação da importância da religiosidade em uma sociedade – e, claro, apresenta a dúvida sobre crer ou não nos dogmas seguidos pela maioria.

Enfim, o filme que foi vendido como revolução na maneira de se fazer cinema hoje virou apenas números estatísticos. A obra, que era para ser inesquecível para quem a vivenciasse, virou só mais um filme como qualquer outro. Se foi difícil desenvolver apenas uma história sem cansar quem a assistiu ininterruptamente, imagine como será ter mais dois filmes formando uma franquia que está por vir. Sim, Avatar 2 e Avatar 3 já estão confirmados, nos resta imaginar o que poderá ser inventado para encher tanta linguiça. Vale tudo: o cinema se transformou em uma máquina de se fazer dinheiro, e Silvio Santos nunca esteve tão certo: agora, é “topa tudo por dinheiro”. Estão cada vez mais raras as obras que conseguem impactar pela história – aquelas que ficam cravadas na memória de quem tem o prazer de assisti-las. Salve-se quem puder!

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About The Author

Minha paixão por filmes começou desde muito cedo. Me lembro da época em que meus pais me presenteavam com VHS quando eu ainda era bem pequeno e de quando eu costumava ir todo fim de semana à locadora para alugar um DVD. Hoje costumo ver filmes sempre que aparece a oportunidade porque sei que mais que puro entretenimento, o cinema tem importância na retratação artística da realidade, e tem o poder de enriquecer a cultura de uma sociedade.