Os seres humanos foram (e ainda são) violentos durantes toda a história da humanidade. Poderia escrever um livro apenas citando fatos históricos que comprovam a minha afirmação. Entretanto, pode se usar a desculpa de que eram povos bárbaros e não civilizados. Mas no século XX, o homem já era bem civilizado. E nesta época surgiu o Nazismo. Uma das maiores vergonhas da raça humana.

Após a derrota do Eixo, os roteiristas tinham em mãos uma história para ser contada até o século seguinte. E assim foi. Diversos filmes falam sobre o nazismo. Cada um conta de um ponto de vista diferente. Alguns mostram a visão dos judeus, outros a visão dos homossexuais, outros a visão dos Aliados e até a visão das crianças. E todas provam como o nazismo foi algo horrendo. E a sétima arte nos faz sempre lembrar de um dos piores, ou talvez o pior, episódio da humanidade.

CINEMA COMO PROPAGANDA NAZISTA

Adolf Hitler era fascinado por artes. E uma delas era o cinema. Um dia ele e Joseph Goebbels, ministro de propagandas, perceberam que o cinema poderia ser usado como um meio de propagandas nazistas. Criaram até o Departamento de Cinema em 1930. Eis que em 1935 foi lançado o documentário “O Triunfo da Vontade”, dirigido pela cineasta Leni Riefenstahl. O documentário retrata o 6° Congresso do Partido Nazista, realizado no ano de 1934 na cidade de Nuremberg e que contou com a presença de mais de 30.000 simpatizantes do Nazismo.

O documentário glorifica o Nazismo. Considerando os aspectos técnicos e ignorando por total a sua mensagem, o documentário é incrível. As técnicas utilizadas por Leni influenciam até hoje a produção de longa-metragens, documentários e comerciais.

Este documentário é o maior já feito pelos nazistas, contudo não é o único. Diversos filmes, curtas e longa-metragens, foram produzidos no auge do Partido Nacional Socialista. Um exemplo é o filme “O Eterno Judeu” de Fritz Hippler. Este documentário mostra o extremo do antissemitismo. Ele coloca os judeus como seres detestáveis e imundos que denigrem a raça humana. O filme foi todo supervisionado por Goebbels. Ele foi um fracasso comercial. Mas isso não quer dizer que os alemães repudiaram o filme. Eles apenas alegaram que já viram “sujeira judaica” o suficiente.

Outro filme nazista foi o “Jud Süß”, de 1940. O filme é mais leve, digamos assim, que “O Eterno Judeu”. Seu antissemitismo não é tão exacerbado como o filme de Fritz Hippler. Este longa teve um grande sucesso comercial e, obviamente, teve a supervisão de Goebbels.

O HORROR DO NAZISMO

Inúmeros filmes mostram as práticas desumanas dos nazistas. Entre eles, podemos destacar “A Lista de Schindler” de 1993. O filme retrata a história de Oskar Schindler. Um homem que salvou mais de mil judeus no holocausto.

Este filme mostra como os judeus foram covardemente atacados pelos nazistas. Acredito que nenhum filme consiga mostrar tão bem como o exército de Hitler era bárbaro. Christopher Lee era mestre em atuar como vilões. Infelizmente ele nos deixou, mas ainda temos o Ralph Fiennes. Este gênio interpretou de uma forma incrível o vilão Amon Göth. Um antagonista que tinha como esportes matar judeus.

Uma cena em especial que me deixou chocado é quando as crianças estão sendo levadas para “o banho da morte”. Elas estão nos caminhões acenando para suas mães e pais, enquanto os mesmos correm desesperados e aos prantos. No longa “A Vida é Bela” uma personagem diz que as crianças são levadas para tomar um banho, mas isso é apenas um pretexto para matá-las na câmara de gás.

Por falar nesta obra-prima italiana, “A Vida é Bela” mostra como o amor de um pai para com o filho foi tão forte a ponto de protegê-lo de uma realidade extremamente cruel e impensável para uma criança. O longa, apesar de ser um gênero de comédia, não suaviza o holocausto. Mas ainda assim, Guido, o protagonista, consegue fazer seu filho acreditar que tudo aquilo é apenas um jogo e que o prêmio final é um tanque de guerra.

Os dois filmes que acabo de citar são tão bons que não há palavras para qualificá-los.

REAÇÃO DOS JUDEUS

Engana-se quem pensa que os judeus apanharam calados e aceitaram toda aquela injustiça com eles. Tarantino sabe disso, e em “Bastardos Inglórios” ele mostra como um grupo de judeus se une para matar o máximo de nazistas que conseguirem. O filme conta com um elenco poderosíssimo. E claro, atuações magníficas.

Na vida real houve de fato um grupo de judeus determinados a eliminar os nazistas. Eles se intitulavam de “Os Vingadores”. O objetivo inicial era apenas matar os oficiais nazistas que sofreram das punições da justiça. Contudo, o ódio desde grupo aumentou a tal ponto que eles começaram a matar nazistas e civis alemãs. Se os alemães eliminaram seis milhões de judeus, eles eliminariam seis milhões de alemães.

Como dizem, a guerra é um reflexo do pior que há no ser humano. Um Ato de Liberdade (2008), com Daniel Craig, conta a história de três irmãos judeus que se refugiam em uma floresta e luta contra os nazistas. Seus atos de bravura fizeram com que muitos judeus fossem lutar ao seu lado. Contudo, o que era pra ser uma resistência, acaba se tornando uma vingança desenfreada.

Este filme mostra o que os judeus precisaram fazer para sobreviver. Alguns fugiram, outros se esconderam e outros lutaram. Os que escolheram lutar tiveram que se rebaixar ao nível dos nazistas. Bastardos Inglórios é um bom exemplo de como a resistência judaica foi muito violenta. Violência em um filme do Tarantino é um pouco suspeita, claro, mas desta vez ele não exagerou.

“Cinzas da Guerra” (2001) é um exemplo diferente da reação dos judeus. Neste filme os judeus se rebelaram dentro do campo de concentração. Este longa contra a história dos Sonderkommando. Um grupo especial de judeus que era encarregado de enterrar os corpos, queimá-los, limpar a câmara de gás e todo trabalho que os alemães não gostariam de fazer. Em troca, eles viveriam um pouquinho mais que os outros.

Este filme de Tim Blake Nelson é duro, pesado e angustiante. Poderia tê-lo citado quando comentei sobre o horror do nazismo, mas quero comentar a reação dos prisioneiros. Ser um sonderkommando era trair seu povo. O mesmo que um negro comprando escravos na época da escravidão. E este longa retrata a única revolta que houve em um campo de concentração. E foi em Auschwitz, o maior de todos.

Os nazistas não se limitaram apenas a matar judeus. Negros, homossexuais, testemunhas de Jeová, deficientes físicos e ciganos também foram exterminados. No filme “Bent” (1997), é contada a história de um jovem homossexual que foi preso em um campo de concentração. Com medo do que pode acontecer, ele esconde sua sexualidade, mas acaba se apaixonando por um jovem judeu que não fez questão de esconder que era gay.

Através deste longa podemos viver como era árdua a vida dos homossexuais no auge do nazismo.

REFLEXOS NO MUNDO

Pode parecer um absurdo, mas ainda há pessoas que defendem o nazismo. Uns dizem até que o holocausto é a mentira do século. De qualquer maneira, os reflexos ainda existem. “A Outra História Americana” de 1998. Mostra dois irmãos que viviam nos EUA em uma época que o racismo era ainda mais forte. O filme apresenta discussões raciais e nos leva a refletir sobre o porquê de tanto ódio. Este longa mostra bem a cultura dos neonazistas.

Assim como todo filme, “A Outra História Americana” tem muito a nos mostrar. O ódio não é algo exclusivo dos neonazistas, mas sim é algo geral. Os brancos odeiam os latinos, que odeiam os asiáticos, que odeiam os negros e que odeiam os brancos. Esta é uma ótima opção para que gosta de debater filmes.

Ideologias de puro ódio nunca morrem, e sempre fazem novas vítimas. E as vítimas no caso não são apenas as pessoas que sofrem nas mãos dos neonazistas, mas também os jovens que aderem ao neonazismo. “Brotherhood” (2009) é um longa que resume perfeitamente o que eu estou dizendo. Ele conta a história de um jovem que foi expulso do exército e acaba entrando em um grupo neonazista. Entretanto, o jovem é homossexual e passa a ver de perto a barbárie que seus novos colegas dizem, pensam e cometem. A situação se torna mais difícil quando ele se envolve em uma relação amorosa homossexual com outro membro do grupo.

Hitler mandou que fuzilassem, queimassem, asfixiassem e espancassem todos os gays que encontrassem pela frente. Não faz sentido um gay se tornar nazista, certo? Mas e se eu disser que houve judeus que se tornaram nazistas? Difícil acreditar, mas o filme “Tolerância Zero” (2001), que por sua vez foi inspirado em uma história real, está aí para não me deixar mentir.

É inegável que o nazismo é algo perigosíssimo, principalmente por sua enorme força. Força que o mantém vivo mesmo após anos da queda de Hitler e do muro de Berlim. “Tolerância Zero” é um longa sobre Daniel Balint, um jovem promissor que acaba se tornando um radical nazista. Este é outro longa que seria perfeito para um debate. É interessante ver Daniel lutando contra suas divergências e defendendo uma ideologia de ódio.

CONLUSÃO

Muito o que se sabe acerca do holocausto são especulações. Como os nazistas destruíram, após o anúncio da rendição, todos os documentos que os condenariam e mataram todos os judeus que poderiam testemunhar contra eles, o que podemos saber são relatos de judeus que foram aprisionados nos campos de concentração.

O cinema já mostrou todo o antissemitismo alemão da época da Segunda Guerra Mundial e também mostrou todo o horror que os judeus, negros, homossexuais etc., passaram. Graças a ele podemos ter ideia de como a humanidade pode ser tão vil.

Nos mostrou o que as pessoas são capazes de fazer para sobreviver e o que elas fazem quando o ódio as corrompe por completo. Além disso, também nos mostra o lado humano de cada pessoa. Quem já viu o filme “A Outra História Americana” sabe que um simples olhar pode demonstrar o medo e o autoquestionamento “Por que eu fiz isso?”.

A sétima arte sempre nos traz boas reflexões. Ela nos faz lembrar de eventos que o mundo quer esquecer. Mas no que diz respeito ao nazismo, o cinema nos mostrou como ele é. Algo terrível que deixa rastros de sangue por onde passa. Uma ideologia que corrompe as pessoas e promove ideias absurdas e ultrapassadas. É triste saber que ele também foi usado pelos nazistas para propagar seus ideais doentios, mas esse é o lado bom do cinema. Ele nos mostra os dois lados de uma mesma história. Para que assim possamos ver o melhor e o pior lado do ser humano.

 

About The Author

Crítico de Cinema

Escritor que sofre de amnésia, cronista, músico, fã de cinema, futuro roteirista, amante de todo tipo de arte e... o que eu ia falar? Oh, droga.