Hoje estreou o filme ‘Capitão América: Guerra Civil’. Quando foi anunciado que este épico dos quadrinhos seria adaptado ao cinema os fãs ficaram eufóricos, porém também ficaram com um pé atrás. ‘Guerra Civil’ nos quadrinhos é uma história complexa e que envolve vários personagens e há diversas mortes. Será que a Marvel conseguiria criar uma história assim e ainda ter culhão para matar alguns de seus heróis? Ela conseguiu fazer melhor que isso.Desde de o lançamento de ‘Homem de Ferro 3’ eu fico com o pé atrás com relação a Marvel/ Disney. É escancarado que aquele longa foi lançado com o objetivo de ganhar muito dinheiro. Apenas isso. Não faria diferença se eles tivessem que fazer um filme deplorável. A prova de que o filme é péssimo foi o fato da Marvel lançar um curta mostrando que o Mandarim na verdade existe e queria seu nome de volta. Fiquei um bom tempo duvidando do respeito que a Disney tinha em relação aos fãs da Marvel.

Após assistir ‘Capitão América: Guerra Civil’ pude ver que, ou a Disney respeita os fãs ou os irmãos Russo que são super talentosos mesmo. De qualquer maneira, a adaptação supera as expectativas. Ela passa longe das HQ’s. Mas isso não é algo para fazer os fãs se irritarem. Os irmãos Russo usaram com maestria tudo o que eles tinham em mãos. Não dava para usar o Quarteto Fantástico por ele ainda ser da Fox, o mesmo com o Deadpool, apesar do Demolidor, do Justiceiro e da Jessica Jones já estarem no Universo Cinematográfico, haja vista que as séries também estão neste universo, era cedo para usá-los. E mesmo que usassem esses personagens que citei, ainda faltariam vários. Seria impossível adicionar todos. Por questões financeiras e de contratos também.

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‘Capitão América: Guerra Civil’ é um filme maduro e que nos poupa de piadinhas medíocres e patéticas como as de ‘Vingadores: Era de Ultron’. O longa contém algumas cenas de humor, e as que têm são muito boas! Os diretores deixaram o filme mais tenso. Criaram questionamentos interessantes, como a fala do Visão em uma parte do filme ‘Nosso poder motiva os vilões. Eles se sentem desafiados a lutarem conosco’. Logo, a presença dos Vingadores causa muita destruição. Então é melhor deixar o governo controlá-los para limitar seus poderes e causar menos destruição ou é melhor que eles sejam livres para lutarem quando julgarem ser necessário? O Homem de Ferro prefere que o governo controle, o Capitão não.

No decorrer da trama a motivação de cada personagem é muito bem explicada. O público não fica confuso e sempre o porquê de cada herói estar do lado que está. Os eventos que fizeram a guerra explodir são demasiado complexos. No Universo Cinematográfico da Marvel as situações foram ocorrendo aos poucos no decorrer dos filmes. Então o acidente na Nigéria é a gota d’agua. Nessa parte o público entende perfeitamente a posição do governo e da população em relação aos heróis.

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É evidente que a Disney fez essa adaptação cedo demais. Se ela esperasse ao menos mais uns dois anos, ela já teria o Luke Cage, Jessica Jones, Punho de Ferro, Demolidor, Doutor Estranho e muito provavelmente o Quarteto Fantástico, já que a Fox não acerta com eles. O problema foi a Warner ter lançado ‘Batmans vs Superman’, aí a Disney se afroxou e decidiu lançar ‘Guerra Civil’. O bom é que deu certo, pois ‘Batman vs Superman’ foi um fracasso e ‘Capitão América: Guerra Civil’ está sendo um sucesso. Ponto pra Disney!

Portanto, os irmãos Russo provaram novamente que não importa o quão ‘inadaptável’ seja uma história, eles dão conta. ‘Capitão América: Guerra Civil’ é um filme maduro e profundo. Algo que a Marvel não fez em seus filmes durante esses oito anos. Espero que ‘Thor: Ragnarök’ seja um filme tão bom quanto esse, pois a complexidade da história também é assustadora. E também espero que eles parem com essa palhaçada de converter o filme em 3D. E caso você ainda não tenha assistido o filme, dê total preferência ao 2D. No mais, a Disney voltou a ter a minha confiança. Não toda, mas já é um começo.

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Crítico de Cinema

Escritor que sofre de amnésia, cronista, músico, fã de cinema, futuro roteirista, amante de todo tipo de arte e... o que eu ia falar? Oh, droga.