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5.0Nota Final
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La La Land – Cantando Estações

(La La Land, 2016)

Direção: Damien Chazelle

Roteiro: Damien Chazelle

Elenco: Emma Stone, Ryan Gosling, John Legend, Callie Hernandez, Rosemarie DeWitt

Duração: 128 minutos

Gênero: Drama, Comédia, Musical

Produção: Fred Berger, Gary Gilbert, Jordan Horowitz, Marc Platt

Distribuição: Paris Filmes

País de Origem: Estados Unidos

Estreia no Brasil: 19 de Janeiro de 2017

Confira também a crítica de Márcio Picoli em vídeo, no player acima.

La La Land 02

Quando chegamos a sequência que encerra Whiplash – Em Busca da Perfeição, a catarse emocional é uma das mais memoráveis no cinema dos últimos anos. A verdade é que naquele momento se culmina toda uma construção que era surpreendente, pois, até então, Damien Chazelle era um nome, provavelmente para muitos, desconhecido.

Toda aquela emoção, mesmo que ficcional, era em meio a um sacrifício cuja recompensa nos fazia regozijar todo aquele sofrimento pelo qual o personagem principal e, portanto, consequentemente nós também havíamos sido submetidos. Alguns anos depois, agora o conhecido e quase consagrado diretor e roteirista, em um projeto ainda mais ambicioso, não se esquece de abordar os efeitos colaterais.

La La Land tem no Brasil um subtítulo que até faz sentido, afinal, Cantando Estações é nada mais do que o óbvio sobre os períodos do filme de Damien Chazelle. Por isso mesmo também uma adição desnecessária.

O importante está mesmo na primeira parte do título, enquanto seu complemento nacional, vale citar, só faz ressaltar a necessidade de saber o significado dos nomes das estações em inglês. Mais válido ainda é prestar atenção na sequência em que são distribuídas no filme. Que acabam por revelar algo muito além da glamourização de Hollywood.

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Porque La La Land, apesar de ter sua identidade própria, é acima de tudo uma homenagem a uma época, e aos filmes dela, que consagrou Hollywood como o centro cultural que se sustenta até hoje. Nós sabemos, entretanto, que não é a maravilha toda que se desenha.

Enquanto se pode acusar La La Land de um retrato glamoroso, pode-se encarar o filme pelo que realmente faz. Não há a existência de uma hipocrisia, e a última estação vivida, por nós e pelos personagens, é justamente para denotar esse sacrifício.

Se, diferente de Whiplash, o sangue não se faz presente aqui, a dor ainda é aparente e tão contundente como. Os sonhos parecem arrancar, de alguma forma, algo que nos é mais que fundamental. Hollywood idolatra a tudo, mas nada valoriza. Se perde em meio ao caminho a graciosidade que antes se fizera presente.

É um gosto amargo saboreado com loureio, uma beleza que se recebe indiferente, muitas vezes sem questionar. É um lampejar de uma pequena parcela daquele todo, cuja o próprio não consegue por si assimilar. É o reconhecimento de algo em detrimento de outrem. É a dureza de uma realidade que se quer fazer inconquistável.

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Pois, enquanto parece universalizar a temática com uma das canções mais importantes do filme, a individualidade ilusória parece ser constantemente ressaltada nas outras canções que nos envolvem desde o primeiro momento. Em meio a suas realizações impressionantes, numa técnica de tirar o fôlego, nem pelos planos sequências em si, mas pela maneira como nos conduzem, encontramos a nós mesmos ali.

Ou assim parece ser. O fato de cada um se reconhecer ali, senão naquele glamour que tanto repito, está nas letras das hipnotizantes canções, que se fazem conversar, esteja a sala lotada ou não, com cada um dos presentes, com cada um que contempla a capacidade de Damien Chazelle e seu filme.

Contudo, se consegue tanto atingir individualmente de maneira graciosa, igualmente desfere tais golpes dolorosos. Porque enquanto o mundo continua a girar, nos vemos ali, tão apreendidos por aquele alguém na multidão. A canção parece tentar nos conscientizar que a individualidade que tanto buscamos é uma faca de dois gumes.

Aí passamos a amar o jazz. Só assim somos capazes, ou parecemos ser, de assimilar aquilo que tanto adoramos na terra das estrelas. Algo que é construído não em uma forma padronizada, mas em características tão singulares que ressaltam as identidades de cada um em meio ao todo, que ressaltam que o todo não é aquele que está apenas construído ali, mas o que se vive cotidianamente.

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Afinal, se Emma Stone brilha, literal e figurativamente, não faz por si só. É fato que, sempre quando exigida, entrega um trabalho de deixar embasbacado. Mas quem exige, e o faz da maneira correta, merece tantos méritos quanto. Só que não é apenas Damien Chazelle o responsável por isso.

Se ele pode fazer tais exigências, é porque pode confiar no trabalho de sua equipe técnica. Desde os figurinos que refletem tanto de seus personagens como da história, quanto aos cenários cuja até as paisagens mais banais se tornam deslumbrantes.

Todavia, se transitamos de maneira tão fluída e espetacular por tais elementos, é pela maneira na qual Linus Sandgren, diretor de fotografia, se mostra capaz de nos conduzir. Não seria nada, no entanto, se não fosse pelo trabalho de Tom Cross, que monta com maestria tal que se vê dissoluto em meio ao deslumbramento que causa.

A constante de Ryan Gosling, naquele que é provavelmente o melhor trabalho de sua carreira, reside nos rodeios do roteiro, assinado pelo próprio Chazelle, que o conduz junto a nós para um aflitivo clímax que coloca sonhos e realidades lado a lado.

Romantizamos tanto cada aspecto, até mesmo os mais amargos, que deixamos de lado aquele algo que sempre esteve ali por nós. O problema não está em deixar de sonhar, mas em não o fazer, ou em fazê-lo com a ideia de que o mundo deixará de girar por nossa conta, para o espetáculo de nossas imaginações. A própria chama que torna o mundo a girar é daqueles que se aparentam tolos, cujas dores tanto como as nossas, não se fazem capazes de deixar de sonhar. Um viva à loucura que se faz colorir uma bagunça de indivíduos que lutam por um mesmo sonho!

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