Direção
Roteiro
Trilha sonora
Direção de Arte
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O principal problema da indústria de entretenimento é como ela é segregativa com aquilo que foge ao lugar comum. Os estúdios Disney viraram praticamente sinônimo do gênero de animação, eles simplesmente dominam o mercado, seja pela pujante bilheteria ou pela enxurrada de produtos licenciados de seus filmes que dominam as prateleiras de praticamente todos os lugares. Decorrente disso, animações “Indies” de outros países acabam ficando a margem da produção americana, a categoria do Oscar de filme de animação tende a reconhecer uma ou outra obra, porém nunca fugindo do âmbito da indicação, o prêmio mesmo decai sempre ao mais do mesmo. Novamente nessa tendência, seguindo a leva de pérolas da animação, temos “Minha Vida de Abobrinha”, animação  em stop-motion vindoura da Suíça, falada em francês, apresentando uma maturidade impar e um ponto de vista sobre a infância incrivelmente original e emocionante. Abobrinha é um filme fofo, entretanto bastante duro, como a vida é de fato. Não há as fugas da realidade comuns na Disney, há sim muita inocência misturada com conflitos adultos.

Na narrativa, Abobrinha é um menino órfão recém chegado num orfanato, lá há vários outros garotos e garotas na mesma situação: chegaram lá decorrente de disfunção familiar plena. O longa animado decorre sobre a adaptação do menino e também dos ocupantes a sua chegada, além do cotidiano dentro do orfanato e os conflitos muitas vezes adultos que afligem tão prematuramente aquelas crianças. É um roteiro singelo de Céline Sciamma, roteirista e diretora de filmes considerados “transgressores” como Tomboy (2011) e o recente Garotas (2014). Ela mantém o tom naturalista no qual discorre sobre tais dilemas, se atendo ao fato de estar contando uma estória sobre crianças, mesmo em condição de marginalidade, são crianças comuns na sua essência, com sonhos e uma pureza que não é abalada pelos traumas sofridos até então.

É uma animação singela, tocante por nos proporcionar uma empatia rara, nos remete as nossas próprias infâncias. Em meu caso, me fez valorizar a minha e ao esforço de meus pais em proporcionar o melhor, principalmente por tentarem sempre me preencher de amor, sentimento este que as crianças do filme tanto necessitam. É agridoce na medida certa, faz chorar e amolecer. Inicialmente eu exitei em comprar a animação de Claude Barras, no entanto percebo o quão grandiosa ela é, sobretudo por, em meio a conflitos tão maduros, exaltar a necessidade da preservação da inocência para viver no mundo contemporâneo, seja em qual idade. Em tempos tão obscuros como esse, é uma mensagem que vale a pena ser aplicada em nossas vidas.

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About The Author

Editor e Crítico de Cinema

Estudante, questionador, indeciso e idealista. Amante da Sétima Arte, acredita que a cultura e a educação são os principais instrumentos de transformação social. Apaixonado pelo Brasil em toda sua plenitude e cores. Fã incondicional do grande gênio Woody Allen: "A liberdade é o oxigênio da alma".