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Corra! (Get Out, 2017)

Direção & Roteiro: Jordan Peele

Elenco: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Lil Rel Howery, Bradley Whitford, Caleb Landry Jones, Stephen Root, Catherine Keener, Lakeith Stanfield, Betty Gabriel, Marcus Henderson

Duração: 104 minutos

Gênero: Terror, Thriller

Produção: Sean McKittrick, Jason Blum, Edward H. Hamm Jr., Jordan Peele

Distribuição: Universal Pictures

País de Origem: Estados Unidos

Estreia no Brasil: 18 de Maio de 2017

Confira, também, a crítica em vídeo de Márcio Picoli, clicando no player acima! Aproveite e clique aqui para conhecer o nosso canal do YouTube!

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Não foram poucas as vezes nas quais me perdi no tempo revendo as esquetes do programa Key & Peele ao longo dos anos. A série cômica encerrada em seu age, no ano passado, foi uma das criações humorísticas fundamentais para ampla percepção de conceitos contemporâneos, que se viam satirizados com raro brilhantismo no projeto criado por Michael-Keegan Key e Jordan Peele. A explosão midiática do nome de ambos alçou suas carreiras a novos patamares, o mais surpreendente, sem dúvidas, surgindo exatamente em Corra! (Get Out). O filme escrito e dirigido por Jordan Peele traz para o próprio uma brusca mudança de gênero no conteúdo produzido. Ao menos, quase que inteiramente. Contudo, nem por isso deixa de lado muito do que fazia as esquetes da dupla funcionar tão bem, agora expandindo o escopo de suas ambições e indo ainda mais a fundo na exploração desses conceitos, onde o próprio diretor classifica seu filme como um thriller social. Aí reside muito do trunfo do filme, que não reinventa a roda para o gênero, por assim dizer, mas, desde pequenas sutilezas a grande motes narrativos, chama atenção a subversão que se vê criada em Corra!, estabelecendo um novo paradigma, ao qual se deve enorme respeito.

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Só que para o funcionamento dessas subversões que Jordan Peele tem em mente, é necessária uma sólida execução. O que parece ocorrer aqui em todos os quesitos possíveis. Até porque existem duas tramas paralelas na narrativa, interconectadas obviamente, mas que se veem separadas conforme acompanhamos o personagem de LilRel Howery, que interpreta o melhor amigo do protagonista, vivido aqui por Daniel Kaluuya (conhecido por estrelar Fifteen Million Merits, o melhor episódio de Black Mirror). No entanto, há aí outro porém: as duas tramas são dois gêneros divergentes. Enquanto o protagonista sofre, a princípio num thriller devidamente desenvolvido psicologicamente, a comicidade da trama de seu melhor amigo, e personagem coadjuvante, surgem numa crescente diretamente proporcional à tensão, e ao que posteriormente culmina o filme na trama principal. O equilíbrio se faz perfeito entre os contrapontos da narrativa, principalmente pela maneira na qual, outra vez em sua carreira, Jordan Peele utiliza o cômico como uma sátira, no caso aqui, de seu próprio filme. São elementos tão concomitantes que fluem durante Corra! sem causar discrepância ou qualquer estranheza. O encontro da realidade com o ficcional, porém, se faz sobressair ao cômico, que é por si só uma constatação, por vezes, do estado atual que se explora ao todo no filme.

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A combinação de uma certa frieza de Jordan Peele lança um olhar clínico sobre a situação, fazendo com que Corra! transite com graciosidade pela sua temática, sem temer em encará-la e difundir uma realidade que, consideradas as alegorias, muitos abdicam como tal. Com uma direção segura, o restante se acomoda com facilidade, onde o roteiro delineia uma história que, mesmo simples, possuí uma rica e bem trabalhada estrutura, com ares sofisticados e que, em conjunto, dão ao elenco o necessário para se sobressair. O mais exigido é Daniel Kaluuya, que convence e sem dúvidas uma vez mais conquistará seu público, seja quem for. Contudo, em menor ou maior grau, o restante dos nomes no elenco também agrada, desde a comicidade de LilRel Howery, à tensão que se desenvolve em torno da personagem interpretada por Allison Williams, bem como o restante dos intérpretes da família da mesma. Assim caminhamos, aos poucos, junto ao personagem, num descenso ao desespero cuja o aterrorizante reside menos no que se espera e mais no que se vê intrincado em meio nossas convicções. O sofrimento por antecipação encontra-se subvertido quando nos deparamos e confrontamos o fato de que há mais influência de preconceitos sobre nós do que se quer refutar.

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About The Author

Especialista em Cinema, Tecnólogo em Produção Multimídia e Técnico de Produção em Áudio e Vídeo. Cinéfilo desde que se conhece por gente, teve o sonho frustrado de ser cineasta e, agora, abre mão da vida social para se dedicar às séries e filmes.